15 novembro 2015

Amor, volta

O papel que me deixaste dizia "fui embora, não procures por mim" mas tu conheces-me e sabes que te procurei...encontrei-te no coração de alguém.
não me viste, mas eu pude observar-te com atenção e ver que ali não era o teu lugar, agarravas-te ao vácuo com medo de cair, não estavas na tua casa, fingias gostar de algo que não era de todo para ti. não entendo porque o fizeste; eu era louca admito, aliás sou louca confesso, mas a minha loucura saudável tratava bem da tua pura sanidade, ambos sabemos que é verdade. espero que ela te trate como um dia te tratei, ou talvez melhor, visto que o meu amor não foi suficiente para te segurar em mim. segura-te à ideia de amor e não a largues, foi o que fiz...só que tropecei em algo que não tropeçou em mim.
Dói sabes? dói muito, mas a dor maior é saber que és feliz sem mim, não sou egoísta porém não vou dizer que não te queria só para mim.
sou tua, levo-te comigo onde quer que vá, levo-te em forma de palavras, levo-te em forma de pensamentos e levo-te em em forma de mim mesma, a marca que deixas-te apoderou-se de todo o meu ser, sendo eu tão tua que chego a ser tu. as almofadas estão tal como as deixas-te, o cobertor pelo chão, o bilhete no balcão e agora uma dor a mais e um corpo a menos; não entendo o que fiz, que forma tomei para deixares de ter forma para mim mas de uma forma ou outra serei sempre tua; os copos no lava-louça, as velas apagadas do jantar de ontem, mal sabia eu que seria o ultimo que faríamos juntos, o ambientado que dispara de 9 em 9 minutos, a gaveta da tua cómoda aberta e lá dentro os teus poemas sobre mim, aqueles que escreveste quando o olhar te trazia as palavras cada vez que o meu corpo era a tua miragem...ficaram aqui, a ser mais uma parte da mobília da casa que decoramos e criamos juntos. está tudo aqui tal como tu deixas-te, menos tu, não ficaste, foste embora e não me levaste contigo.
As fotos na parede da nossa viagem a Paris, como foi bela essa viagem; lembro-me de tudo ao pormenor, o quarto decorado com pétalas de rosa, o teu perfume no ar, a vista da janela que nos trazia o melhor lado da Torre...ah, a Torre, que subimos e proclamamos o nosso amor ao resto do mundo que abaixo de nós caminhava com as suas histórias.
Histórias, também tivemos uma, que acabou assim, como foi possível? amor, volta para mim.
decidi ver de novo o papel, foi a única coisa tua que mexi, por trás um PS que ditava que os papeis do divórcio se encontravam na mesa de chá da sala. tremi imenso quando os vi, tremo hoje quando penso neles, a minha assinatura sobre o papel, torta e aos soluços ditava o fim. ditaste o fim, o fim de ti em mim, o fim de nós, o fim de tudo para no fim sobrar eu sem ti; terminou tudo menos o meu amor por ti, pois agora estou aqui, desta vez mesmo sem ti, sem te ver, tocar, escrevo o que se passou, que acabou e sobre o que sobrou de mim; nada, nada sem ti é o que sou, mas eu cá me aguento, ficarei aqui, um vazio no espaço cheio, tão silencioso no meio de gritos; chamo por ti, mas tu não vens! eu sei, eu sei....amas outra, queres outra, desejas alguém que faz agora parte de ti mas por favor...amor, volta para mim.

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